quinta-feira, 29 de novembro de 2007

vale uma imagem mais que mil palavras?

Depende.
Momentos há
em que uma só palavra
vale mais que mil imagens.
Somente uma
Palavra
Só.

o primeiro almoço de verão

foto: agnaldo ribeiro
Um minuto por favor. Falemos de mulheres. É de Sebastiana que falaremos. Sebastiana, filha de Jandira, neta de Emerenciana. Esta última, Emerenciana Gomes, excelente enxadrista e campeã de nado sincronizado, usa modelos modernos, salta de pára-quedas e compõe hinos à alegria de estar viva. Emerenciana é tudo, tem 60 anos, três amantes, é uma mulher completa, sabe escolher as jóias que usa, nunca abusa de um perfume e cozinha com sabedoria de alquimista. Sebastiana, sua neta, não herdou os mesmos dotes. Mas tem outros, próprios, intransferíveis. É, por exemplo, especialista em cachimbos. Pergunte à ela tudo o que quiser sobre cachimbos. Sebastiana também pratica Yoga todos os dias, é dedicadíssima nas aulas, executa até mesmo as posturas mais difíceis e, depois da prática, passa três horas em meditação sentada. Está começando a despertar sua kundalini. Todos os seus chakras vibram numa frequência harmoniosa. Não se deve subestimar uma mulher como Sebastiana. Ela é carinhosa e sabe como provocar o prazer de um homem. Estudos revela que mulheres como Sebastiana têm mais chances de casar antes dos 30. Mas Sebastiana não quer casar. Ela preza muito a liberdade, leu muito Simone de Beauvoir, Camile Paglia, Julia Kristeva, escreveu uma tese de doutorado chamada A Liberdade Feminina em Análise: um estudo filosófico que recebeu aplausos da banca. Sebastiana gosta de usar os homens como se usa um guardanapo que, logo após exercida a função, se descarta. “Os homens são coisas descartáveis” – ela costuma dizer. Mas, aqui entre nós, eu acho que tudo isso é máscara. No fundo, Sebastiana é uma romântica. Uma vez ela teve um sonho. Sonhou que estava sozinha numa praia e que aparecia do nada um homem alto e nu que a carregava nos braços. Depois ele a levava pra casa e trepava com ela no tapete em posições complicadas descritas no Kama Sutra. Sebastiana é uma estudiosa da cultura hindu. Seus livros preferidos são o Baghavad Gita, o supracitado Kama Sutra e os Yoga Sutras, de Patanjali. Essa mulher é tão avançada, tão esperta, tão versátil, é bom conversar com ela num café qualquer de Porto Alegre, saber como anda sua psicanálise, qual o amante da vez, qual o plano para o próximo ano, o que ela achou do último Saramago, como foi sua estada em Buenos Aires, qual o melhor programa da Recoleta, coisas assim. Queria encontrar mais mulheres como Sebastiana. Quem sabe, até me casar com uma delas, fazê-la feliz, viajar com ela até Manaus, passar 120 horas numa balsa até Belém, chegar em Belém e tomar um suco de uma dessas frutas estranhas que por lá se encontram. por agnaldo ribeiro

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

indecifráveis leituras

veja bem meu bem, eu te olharia quantas vezes fosse preciso para descobrir nas mesmas fotos as novidades que conheço há tanto tempo। eu sei que os seus olhos continuam da mesma cor, que os seus pés ainda calçam o mesmo número, só não sei como está o seu cabelo, mas deve estar bonito, porque tudo que é seu: é belo. lembra-se da camisa quadriculada de maracaípe? eu me lembro da camisa do Massa, estragada pela sua máquina de lavar. a minha, da seleção brasileira, continua a existir, um tanto desbotada como o seu sentimento por mim -- mas ela ainda existe. escrevo este relato para que você saiba que me lembrei de você olhando umas fotos antigas de muitos dias atrás. embora eu não precisasse de fotos para recordar sua existência. você está feliz? se você está feliz, eu também fico. espero que tudo esteja bem e cada vez melhor. por agnaldo ribeiro

domingo, 25 de novembro de 2007

sábado, 24 de novembro de 2007

que neste domingo meu desejo seja atendido

Foto: agnaldo ribeiro
Que neste domingo ninguém mate ninguém. Que nenhum carro perca o controle ou bata em outro carro. Que nenhum ser humano seja atropelado. E nem mesmo um cão. Que não se brigue, não se adoeça, não se enlouqueça. E principalmente que não se morra. Que neste domingo haja calma nas cidades, campos e estradas. Que haja vento nas paragens e calmaria no lago, e correnteza nos córregos e dispersão nos rancores. Que neste domingo haja sangue nos corações e descanso nas mentes, descanso nos braços. Que neste domingo falte a manchete terrível para a primeira página de amanhã. Que, nas redações e ruas, se comemore a incrível bonança. E que este domingo, além das notícias do mundo, seja um domingo de paz. Mas se ainda assim irmão assassinar irmão; se os carros colidirem na curva imprecisa; se passarem por cima dos corpos as máquinas horríveis; se estourarem as guerras, as moléstias, os atentados e as sombras; Se neste domingo se morrer como em outros domingos, e se houver fúria e medo e tragédia em diversas partes; se houver tornados na distância e dilúvios na esquina, e venenos nas bacias e difusão nas perfídias; se neste domingo escorrer sangue no asfalto, com sentenças malditas nas mentes e braços, provocando silêncio nas casas e estresse nas redações; se neste domingo nascer a manchete perfeita para a primeira página de segunda – mesmo assim, além de tudo e além do mundo, eu vos informo, caros leitores, será um domingo de amor. por agnaldo ribeiro

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

identifique-se

Você aí, mortal! Largue já esta gasolina, e este isqueiro que não apaga ao vento. Não se atreva a queimar as plantações de dinheiro das quais eu sou o bravo protetor! Não fala? Ah.. você e muito inteligente! Superior??
Sua hipocrisia te cega. Suas leis estúpidas não condizem com o real. Seu esquecimento, seu emburrecimento, fazem com que você se sinta superior aos outros seres vivos ou não. Mas não se iluda criatura. Você, uma pedra e eu somos a mesma coisa. A planta, a água e o ar também. Você e uma alface são perfeitamente compatíveis, basta um zoom nas suas células. Sua genética é só 0,5% diferente da dos macacos. Seu cérebro atrofiado pensa que só porque pensa é melhor que os outros, pensa que pensar é uma qualidade divina. Pense, ignorante, que pensar nada mais é do que uma qualidade necessária para a sua sobrevivência. Ou você acha que com este corpo frágil sobreviveria no planeta se não fosse um tiquinho inteligente? Seu cérebro é uma experiência da natureza para a adaptação da espécie. Mas isso não tem nada de mais, o cachorro precisa ouvir bem, por isso tem a audição desenvolvida. A águia precisa ver o rato lá de cima, por isso, sua visão é fantástica. Você precisa pensar e por isso seu cérebro faz umas poucas conexões a mais. E você ainda fala que pensar, é logo existir. Tente parar de pensar e exista plenamente. As coisas que não pensam continuam existindo. E pare de uma vez por todas de classificar atitudes extremamente humanas de animalescas. Animais irracionais nunca fariam as idiotices que você faz raciocinando. Ponha-se no seu lugar, bactéria do universo!!!
por agnaldo ribeiro

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

conversa


- Vamos tomar um sorvete?
- Oras, onde já se viu.
Eu tenho cara de quem toma sorvete?
- Sim. Essas curvinhas tão interessantes mostram que sim,
você toma sorvete. E muito.
- Mas que abuso. Isso é um acinte.
- Não fique irritada. É um elogio.
- Eu não tomo sorvete com qualquer um.
- Bem, mas eu não sou qualquer um. Não se lembra de mim?
- Claro que não, abusado.
- Se não lembra, porque está prolongando essa conversa?
- Ora, ora, ora...
- Está confusa, admita.
- Você, você, você...
- É gaga?
- Atrevido... Como ousa, seu, seu, seu...
- Ih, essa conversa está truncada.
- Aliás, não deveria nem ter começado.
- Eu estudei com você na quinta série.
- Em que escola, engraçadinho?
- Lá em Astorga.
- E quem é você afinal?
- O Aguinaldo, lembra agora?
- Aquele que ficou com o rosto que parecia um queijo parmesão de tanta cratera de espinha.
- Não venha com ofensas bobas...
- Não gostou?
- E você está lembrada que quando brincamos de leva e traz, eu dei um beijo em você? E na boca...
- Ora, ora, ora...
- O cara de cratera beijou a gordinha da turma.
- Mas você é um ridículo, ridículo.
- Posso ser. Mas depois de tanto tempo, não dá pra ser mais amável?
- E por que eu seria simpática com você?
- Porque eu continuo achando você um pitequinho. Toma um sorvete comigo, vai?
- Depende.
- Do que.
- Só se você me der outro beijo na boca...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

a partida

Ordenei que tirassem meu cavalo da estrebaria. O criado não me entendeu. Fui pessoalmente à estrebaria, selei o cavalo e montei-o. Ouvi soar à distância uma trompa, perguntei-lhe o que aquilo significava. Ele não sabia de nada e não havia escutado nada. Perto do portão ele me deteve e perguntou:- Para onde cavalga, senhor?- Não sei direito – eu disse - , só sei que é para fora daqui, fora daqui. Fora daqui sem parar: só assim posso alcançar meu objetivo. - Conhece então seu objetivo? – perguntou ele.- Sim – respondi. Eu já disse: “fora daqui”, esse é meu objetivo.- O senhor não leva provisões – disse ele.- Não preciso de nenhuma. – disse eu. – A viagem é tão longa que tenho de morrer de fome se não receber nada no caminho. Nenhuma provisão pode me salvar. Por sorte essa viagem é realmente imensa.

KAFKA, Franz. Narrativas do Espólio. tradução e posfácio de Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. (p.141)

primeiro passo

sim!Definitivamente sim!!Um NÃO às relações mundanas. “Chega um momento em que a gente consegue ser suficientemente lúcido para perceber o que não quer mais e inocentemente assustado para seguir em frente. É neste ponto, exatamente nesse ponto, que mora a nossa escolha. É nesta encruzilhada que testamos a nossa coragem e ousadia. De um lado, o conhecido que nos ampara e seduz. Do outro lado, o desconhecido que invade e grita. De um lado o medo, o pavor, a dor. Do outro a vaga promessa do sonho de luz”. Ao morrer para o falso, vamos sempre poder renascer para o VERDADEIRO (ou não). Tem que QUERER, imbuir-se de uma vontade enorme de não ficar repetindo estórias falidas. Tornar consciente tudo aquilo que é inconsciente. Se nao sabemos bem o que fazemos, é hora de descobrir o PORQUÊ, o motivo, sem subterfúgios nem simulacros do real. O real está aí, coragem para encarar é o que falta a muita gente. por agnaldo ribeiro.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

tem agora outro rosto, outra beleza.

você diz que me lê e as vezes fala que não entende nada do que eu escrevo. entende sim, claro que entende: eu sempre falo de você, como você pode não me entender?eu falo dos seus sonhos, das suas neuroses, das suas ressacas, do seu tesão, do seu amor real e das dores filhas da puta de manter um amor. falo das saudades que você sente e até de umas bobagens que fazia na infância, da mulher gostosa que me azucrina à tarde e estimula minhas mãos taradas a te quererem. eu só falo porque você está viva, e eu gosto disso. porque você e linda, inteligente, gosta e entende de poesia, muito mais do que acha. falo só sobre você e para você. uso umas metáforas meio idiotas, umas palavras bonitinhas, umas imagens filtradas só porque tudo isto tem a cor da tua alma e porque no fundo é o que ela entende e me pede, e eu te dou, assim de lambuja. dou em palavras, em corpo e alma. por agnaldo ribeiro

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

porque somos de açúcar e afeto

Foto: Elio Catho. Elias Fausto_Capivari nevoeiro
Vinha sentindo aquele desejo de solidão há algum tempo. Aquele que levou ao sertão dos sonhos. Mas aquele tempo em que ela prendia os instantes entre os dedos como se fossem borboletas pegas no ar havia se encerrado. E, como uma costureira de distâncias, ela tece vestidos que nunca vestirá. Hoje o talvez é um travesseiro de espinhos e ela tem três. Hoje os amores são em sonho. Neles, os príncipes, os castelos, os olhares e o fim da tarde chegando. Aquela flor pendurada no céu para que se perca o ônibus fretado, para que se passe do ponto, para descaminhos. Na freqüência do celular, palavras e tolices. Não há delícia se não quando se deita num momento exato do passado. Dormem costurados entre fronhas os amores. E não há desilusão, atraso, medo, que não estejam deitados em lençol de algodão, presos ao colchão pela “empregada de motel” para que lá, apenas lá, o amor se encontre. E ele sofre de insônia. Quando amanhece, mente. Talvez esteja apenas quando ela apaga a luz e estuda as minúcias da parede, com os olhos arregalados no escuro. Uma consciência da inconsciência. No mais, de mãos dadas, a vida é um pequeno desmaio da inconsciência. Saudade que não cabe ser dita, aqui.
Ela havia vestido blusa branca naquela manhã. Lavou os cabelos com xampu de guaraná para que tivessem o hálito fresco das manhãs. Secou, penteou, olhou de soslaio no espelho, quase de partida. Deixou a porta com os mesmos sapatos de dois anos atrás. Tomou o elevador metálico, segura. A chuva estava fina e dispensou o guarda-chuva. Mas isso foi no começo do dia. Antes de deixar a sala, ela espera dias assim. Ela espera o dia todo pelo pôr-do-sol. Agora que ele se deita lá longe, lambuzando tudo de amarelo, não quer que venha. Não quer. Não quer pelo simples motivo de não-querer, porque esperar a beleza, mesmo que sua estadia seja tão curta, é o melhor sentimento de todos. Esperar é a hora do sonho. Ela pode imaginar – e escolher – que tons de amarelo terá, qual será a parte do corpo do sol que primeiro tocará o horizonte, esparramando em seguida o que ele tem de quente. Faz da espera sua tela em branco. Talvez por isso prefira quase esperar a viver a paixão. Ela sabe, só ela sabe, que estará líquida sonhando nos braços do sofá, mas não quando eles, de fato, estiverem lá. O suspiro está nela quando fecha os olhos, sempre sozinha, e enfeita todos os amores que espera, mas não deixa chegar. Porque ele já chegou, e esta longe. Ela sabe que o momento de escolher os pratos do jantar é sempre mais saboroso que o próprio jantar. Os olhos fechados no travesseiro, com o amor do outro lado do mar, é, antes de tudo, o maior amor que se pode viver. É o amor por si mesma, deitado no que ele tem de mais presente: o fantástico. Sim, pois ele, o amor, nunca trará flores no café da manhã e, se trouxer, não estarão tão bem embaladas como na vida real. O amor tentará a melhor música, mas haverá sempre uma “Lola”, um “porque o amor acontece” encontrado depois, que seria, de fato, o que o amor precisava para dançar naquela noite. Nunca. Nunca o amor terá a paleta de cores e as sombras exatas, o chapéu bem escolhido, a direção de arte incansável de um sonho. O amor, o amor que ela sonha, só se vê em alguns dias de 2007. Não há razão para tentar?, Ela pensa, despedindo-se do pôr-do-sol. Durará pouco, enfim. Ou melhor: o amor durará sempre menos que a espera, que a deliciosa espera. Só o sonho é. A realidade não.
Despede-se antes que ele venha, antes que possa dizer olá, com a voz tão sonhada. Ela reuniu os ontens num canto da sala. Decidiu guardá-los ali para evitar os tropeços. Fazia questão agora de que todos os ontens fossem um sem-fim de indo-e-vindo desprogramado. Visita o caderno de poesia, agora miúdo e ainda de capa dura, que ela se deu aos 16 e pensa: “Talvez no sábado eu me leve ao cinema para ver um preto-e-branco no café do Cinesesc.” Ela queria mesmo era abrir contas imaginárias e sem limites nas livrarias de São Paulo. Sempre espera ser chamada de "senhorita" por algum vendedor, como fazia o casal de velhos da Livraria e Sebo que ela freqüentava na sua fantasia.
Assim, voltava a praticar o hábito de criança, quando escondia flores entre as páginas dos livros. E lá elas ficavam para que fossem, vez ou outra, a sutil surpresa no ato da decisão de ler um poema. Ela, menina, bem sabia em que livro estava a margarida descolorida ou a sempre-viva roxa desbotada. Mas pregava-se a peça de fazer de conta que já não se lembrava para achar encanto na florzinha (re)encontrada. Agora, era assim com os ontens: guardou-os num canto, como se os escondesse de si mesma. Desaprendia que eles estavam lá e logo se tornavam flores dormindo dentro do livro. por agnaldo ribeiro

terça-feira, 13 de novembro de 2007

o मदों ओ

Olha aqui. Eu sou o medo e provoco sensações desagradáveis como suor frio e palpitação em você,eu acelero os seus batimentos cardíacos, eu provoco mal-estar. Eu evito que você olhe nos olhos das pessoas, eu ajudo você a parar e se omitir para não ter que me enfrentar. Eu sou o medo e tento te proteger do desconhecido, aquele que você não consegue controlar.Eu te protejo da censura e do julgamento alheio, especialmente o do seu pai que é aquele a quem você mais quer agradar. Eu sou sua defesa e a faço parar. Esse é o preço que paga por me ter. Eu sou o medo e é através de mim que você reage, ou simplesmente deixa de agir. Pára. Eu te ajudo a não ser você, mas ser aquilo que os outros querem que você seja. Eu sou o medo, e meu tamanho é respeitável, eu influencio duramente o seu vir-a-ser. Eu sou o medo e você não pode ir além do esperado. Você tem o seu limite, e esse são os outros. Eu sou o medo, e te defendo do autoritarismo do seu pai, das interferências que ele faz na sua vida, eu a faço obedecer, porque você me tem. Eu te paraliso, e você não tem atitude. Você não sabe aonde ir... mas você tem a mim, e comigo ao seu lado você será sempre insegura, sempre infantil e sempre ansiosa.Eu te ajudo a não errar. Eu não gosto de errar, e por isso não quero que você erre, eu quero que você seja perfeita. Portanto quando você me tem, você não erra, porque eu não deixo.A possibilidade de erro é mínima e você não faz nada nem raciocina.Assim ninguém vai te julgar .Os julgamentos te destroem, eles te mareiam.Você quer ser perfeita, perfeita para seu pai e assim receber a aprovação que dá sentido a sua vida. Eu sou o medo e dou sentido a tudo que você não faz. Eu te ajudo a revisar cada item das suas tarefas diárias, os prós e os contras de cada situação, eu faço planejamento. Eu espero. Sentado. Normalmente eu paraliso. Quem me tem espera sempre o melhor momento, porque é difícil dar o pontapé inicial temendo tanto. Quando você me tem, você teme. Eu te ajudo a temer.Eu sou o medo e te causo ansiedade, essa que é minha grande amiga. Eu sou uma energia mal aplicada, sou auto-sugestão, sou pré-conceito. Sou um terremoto na sua vida, mas você me quer.... Eu te causo dificuldades em incorporar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas. Eu faço com que você perca a confiança em si mesma, fazendo-a permanecer com o velho e conhecido sempre, porque isso te traz a sensação de segurança e controle.E eu não quero que você se descontrole, por isso estou sempre ao seu lado.Eu sou o medo, e o novo tem a capacidade de potencializar a sensação que eu te causo, eu te provoco sempre a sensação de que algo ruim ou perigoso pode vir a acontecer.Eu sou o medo e imponho a você a clássica postura do pessimista, daquele que acha que sempre tudo vai sair mal, daqueles que nunca sorriem.Você não encontra saída e, então, o melhor é obedecer ao que esperam de você!! Eu sou o medo e você não poderá fazer mais nada. por agnaldo ribeiro

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

अदेस्त्रे सुआ adestre a sua vaidade

Domingo a noite, fiz um teste de QI

e minha pontuação foi 134!
Segundo a tabela de classificação geral dos níveis, eu sou superdotado! Aham!

Olha a prova ai em baixo:
Minha vaidade é um cachorro bravo. Prendam este animal – para o bem geral. Bem? Todos sabem que um cachorro preso fica muito mais feroz. Minha vaidade é uma cadela ridícula na porta de saída.Uma bola de veneno dentro da carne, e pronto: está morta, está morto. Não posso soltar minha vaidade pelas ruas. Ela me faz passar vergonha– o responsável por um cão é seu dono. Cães só podem ser amestrados quando pequenos. Minha vaidade é uma cadela velha, um caso perdido feito de vento. Um carro invisível atropelou minha vaidade. Mas ela apenas se finge de morta. Não chute.





domingo, 11 de novembro de 2007

नीना कौमोदकी - Nina kaumodaki

vem aqui que eu quero te agarrar e de dar um beijão!

sábado, 10 de novembro de 2007

a joaninha bandida usava uma roupa suave e colorida.

Idéia escabrosa uma dona joaninha veio ao ouvido sussurrar-me, que eu com ela fosse ao asilo e roubasse as mantas dos velhinhos. Eu disse, ora, dona joaninha, muito bonito que uma pessoa como a senhora, com uma roupa tão suave e colorida, queira fazer-me o favor de cometer um disparate desse quilate! Ladroísmos são punidos com o corte das mãos em algumas culturas, fique sabendo, dona joaninha! Então ela sorriu-me e disse, com um ar de quem já tinha bebido a sexta garrafa de smirnoff ice, é um asilo de velhos surdos e mudos, ninguém perceberá! Indignei-me mais um bocado, porque, francamente, além de querer subtrair pertences de idosos, ainda mais por cima seriam velhinhos avariados, que não escutam nem falam e estariam, neste sentido portanto, impossibilitados de reagir. Rosnei que nem um chow-chow, pare com isso já, dona joaninha! A senhora precisa honrar a espécie das Azya luteipes ou Pentilea egena, isso seria uma vergonha muito humilhante para as suas similares! Ela destarte riu-me com intensidade superior, pois já alcançara com suas patas a sétima garrafa de vodiquinha com limão, eu só a brincar estava, só a brincar, meu filho! Apenas porque sou joaninha não posso perpetrar um chiste?! Humpf, bufei, pois o sangue resvalou-me pelas ventas! Revoltei-me de vez por todas e decidi-me a colocar um ponto final naquelas patifarias! Era o mínimo que eu, um sujeito sempre vestido de honestidade do chulé às caspas, poderia fazer. Foi então que surpreendi dona joaninha. Dei-lhe um piparote com a ponta de meus dedos, a saber, o indicador e o polegar. E bradei-lhe, vá-se, vá-se! Não mais a quero em meu derredor! A joaninha bandida avoou pela fresta da brecha do buraquinho de lá finestra. E foi então que me começou esta maré de azar!

um passado recente entrou na moldura de meus olhos

fotos: Laura Affonso & Agnaldo Ribeiro



a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!