sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

até breve

Foto: agnaldo ribeiroVou me ausentar durante alguns dias. Este lugar é vosso. Cuidem dele até ao meu regresso. Percorram os arquivos onde tanto ainda permanece por conhecer e reconhecer.
Obrigado pela companhia silente deste tempo extenso que a madrugada rompeu.
Até breve.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

feliz natal

Foto: Wordpress
para você que visita as minhas palavras,além da minha gratidão, o desejo de que no natal, no ano que vem, na vida: esteja em paz com as suas memórias, saiba que coisas boas virão, sinta que o presente é possível. é o que desejo para você e para mim.
Agnaldo Ribeiro

já sabia que você estava por aí

Foto: agnaldo ribeiro
Prometo pela noite que nos achamos, amar e respeitar e ser fiel, e ser só teu. Juro com tal disposição, com tal força e tal empenho, que se quebrar o juramento virarei um nada, um poço, um vão de medo. Juro pelos ossos sobre o tempo, pela pele sobre a carne, pela carne sobre os ossos, que te farei feliz, protegida e amada por um milhão de anos, por toda a vida. Mesmo as coisas triviais, serei seu, com palavras, atenção, gentileza. Eu prometo por todas as sombras da terra, por todas as fúrias do mar, em ritual silêncio, na dor feroz e na alegria forte, juro entre nós estar vivo até o limite dos tempos, e que a morte não separe o que existe. por agnaldo ribeiro

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

happy hour at Daslu

Foto: Marco Bahé
Um minuto de silêncio. Duvido que alguém consiga isso aqui.hora de falar com o velho Johnny, Walker. Só ele é capaz de me inspirar com suas unidades mínimas de linguagem com som e significado que podem, sozinhas, constituir enunciado. E assim que pensam esses fulanos. Pois bem, aqui na minha frente um bando de moralmente desajustados depois de liberados dos seus encapotados e infames afazeres vão debulhar latim no espaço nobre at Daslu, porém a astúcia de tal bando esta diretamente ligada a estâncias desconhecidas do meu ouvido popular, ciência da robótica, matématica e física quântica, e como não poderia faltar: um breve ensaio sobre a puta que o pariu, tudo ao notável e elegante som de Fredrick Chopin.Mas aí posso também citar o honolável mestre chinês da pseudo-semântica, mais conhecido como tchi-ziu, nascido nas terras de Phu-bah e guru do clã de Pu-dhim: “Nunca é tarde para sair mais cedo deste abominável local de sacrificios”. Ja disse coisa parecida la em Maracaípe. É claro que ele falou isso com um sotaque tão estranho que nem o Papa conseguiria entender, mas isso já é uma outra história sobre o reino de Filgolforn. Por enquanto vamos ouvir piano, piano, piano... e aquele sorriso da perua, áááááá a a a a a a”,...! guindastes me movam! por agnaldo ribeiro

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

quase invisível à luz do dia

Foto: agnaldo ribeiro
Hoje eu vi o passado, ele estava ali em pedaços coloridos ao meu lado. Palavras espalhadas sobre o papel incolor, imagens de adocicadas e insanas tardes, antes guardadas apenas na calmaria do rio onde se pesca a vida. Hoje eu vi o passado e sei porque ele alegava espaço no falso presente. Eu sei. O olho da fera conheçe a trovoada certa. O passado esta em mim e penetrou perpetuamente no reino dos meus pensamentos agora fundido em cascatas de vozes que cortam as cordas ao redor do meu pescoço. Foguetes rumo ao valioso céu de doces bordas. Algum norte ignorado é o furor da vida gotejando em folhas de silêncio rumo á aveludadas campinas, vítimas de obscura sede. Hoje falei ao passado e ele falava de solidão e desespero de um jeito tão manso que era capaz de derrubar uma lágrima na chuva. Um passado honesto. Triste é o latido de um cão preso por uma corrente. Quente é o sol alvejado pelo chão. Doce é a tarde, esparramada pelo piso. Fresca é a água vertida na tarde, fresca é a brisa que passeia pelos espaços da tarde. Inquieto é o corpo. E desassossegado. por agnaldo ribeiro

desejo para nós

Uma nova e arrasadora utopia da vida, onde ninguém possa decidir por outros até a forma de morrer, onde na verdade seja certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham por fim e para sempre uma segunda oportunidade sobre a Terra.

parte final do discurso de saudação de Gabriel Garcia Márquez à Academia Sueca, na cerimônia que antecede a entrega do Prêmio Nobel.

ouça e cala a boca

escuta aqui, sua...eu não vim te dizer porra nenhuma. eu vim dizer que todos os fatos são vagos, que todos os ratos são pardos, que todos os atos são tragos de bourbon e soda. eu vim foder com os lados do contrato, vim revelar-lhes todo o segredo ocultado entre os escombros da bomba de mercúrio cromo.para completar:
vai bundar com o frederico, some!vai tomar no olho do seu cú, filha da puta lazarenta de merda que só pensa em dinheiro! a sua mãe e uma biscate, seu pai e um corno manso, sua masca fronha de merda! estou de saco cheio desse seu nhenhenhê, ninguém liga para as merdas que você pensa da vida, se e que você tem uma, sua medíocre, sua marginal de quinta! mercenária barata. arrogante de uma merda, vai pra puta que te pariu, cu arrombado da porra, some,vai!

o vôo da águia

"A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.Nessa idade, suas unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.Nesse momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias.A nossa águia decidiu enfrentar o desafio. Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois, a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas. Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o vôo de renovação e viver mais 30 anos."
texto de autoria do Sr. Affonso Romano de Sant'Anna.

domingo, 16 de dezembro de 2007

um minuto

Foto: Folha imagem
Pensa que me intimida com sua miserável segunda-feira, parco domingo? Mais fugaz que você, é o meu tédio.

sala de espera

Foto: Folha Imagem
acabei de abrir a última garrafa de vinho tinto...Ouço a maquinaria avariada do tempo, o mecanismo das turbinas, o azul do infinito e também um vocábulo nunca antes ouvido. Mas não ouço por completo apenas metade, porque não se deve mostrar tal beleza inteira. Apenas metade que é para deixar espaço para o mistério. Mistério que aparece nesta tarde esculpida no formato obsceno de suas saliências tão belas. Mais tarde quando o sol beijar a terra colorada, espero-te suave, suabilíssima no abissal desta desmantelada noite. Noite que vive na minha sala de espera. por agnaldo ribeiro

sábado, 15 de dezembro de 2007

um certo sorriso...

Foto: agnaldo ribeiro
porque eu sei que teus cabelos são tempestades que me alucinam

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

rota navegável

Hoje à noite quero ir a Lua.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

tell me

Foto: agnaldo ribeiro
look into my eyes and tell me what do you see.

eu poderia.

Sim, eu poderia amar aquela morena que me ignorou. A menina indie de blusão Adidas e peitos grandes. A estudante de Comunicação. A mignon de grandes olhos angustiados. Amar mulheres mergulhadas na loucura, amar intelectuais eliotianas, analfabetas funcionais, manicures ninfomaníacas, desprezíveis alpinistas sociais. Amar arrivistas e góticas. Atletas e domadoras. Onças e algozes. Eu poderia amar lus e pátis, rosalindas e cacildas, beatrizes e dulcinéias. Eu poderia amar a modelo que precisa comer feijão com arroz, a advogada que precisa trabalhar menos, a balconista que serve café expresso no quiosque. Aquela ruivinha de saia colegial não sabe, mas eu poderia amá-la. Eu poderia, sim, amar a japonesa, a caucasiana, a vietnamita e a sudanesa. Eu poderia amar a canadense, a carioca e a soteropolitana. Eu poderia amar moradoras de Niterói, Fallujah e São Petersburgo. A que tem fazendas e a que veste fazendas. A que quase se matou e a que quase se casou. Eu poderia amar diferentes entonações de Ana, Rebeca e Isabel. Eu poderia amar Audrey Hepburn e Clarice Lispector. Eu poderia amar a mulher certa durante sete anos, e só então descobrir que ela trocou de nome e tem sete CPFs. Eu poderia amar Eugênia, mesmo que Eugênia não gostasse de mim.
Eu poderia transformar este apartamento em harém, e amar todas as concubinas da fatalidade. Eu poderia amar mulheres fatais e trêmulas, altivas e beneméritas. Eu poderia amar com gosto, açodamento e derrotismo. Eu poderia amar sem conhecer. Há até quem acredite que eu poderia amar sem amar.
Eu poderia amar a terra, o mar, o medo. Eu poderia amar a morte. Mas eu amo a Lua, eu amo você.

resposta

Os burros só obedecem aos ignorantes. Aqueles que gritam para se fazer ouvir porque não tem argumentos nem espírito de liderança e partem para ignorância extrema justamente pelo motivo que são... ignorantes. Conscientes disso, insistem em permanecer no mundo “ignorantes e seus seguidores burros”, pensando que são líderes natos. Os burros, por outro lado ,acham que gritaria é o signo da suprema autoridade. E não entendem que eles gritam simplesmente porque não a tem. Está óbvio o motivo pelo qual não entendem, se não fosse assim não levariam o adjetivo burro. Que será que o burro teme tanto? Limitados pela sua cretinice, quem sabe um dia obtenham a carta de alforria quando chutados na bunda pelo mesmo tal ignorante. Quem sabe até comentam um assassinato de tão frustrados e espezinhados depois de tanta manipulação, baixaria e repressão. Cuidado extremo deveriam tomar os seres ignorantes... É uma roda viva. Quem é mais burro, eu ou você ignorante?

tolerância zero


– O que a prefeitura está fazendo para resolver o problema?
– Nada. Estamos enrolando.
– O que o sr. tem a dizer sobre as acusações de desvios de recursos?
– Nada. Eu roubei mesmo.
– Como o sr. pretende armar o time?
– Pretendo armá-lo para ganhar o jogo. O empate seria pouco interessante.
A derrota, menos ainda.
– O sr. aceita essa senhora como legítima esposa?
– Não. Mas toca o barco, seo padre, que o pessoal tá esperando a festa.
– Dá uma passadinha lá em casa pra tomar um café.
– Não. Você é chato e seu café é horrível.
– Tudo bem?
– Não. Mas não me pergunte por quê.
– Você gosta de poesia?
– Seu nome é Carlos Nejar?
– Não.
– Então, eu não gosto.
– Gás da Ultragás?
– Não. Gás mostarda.
– Bom-dia, o sr. já levou seu prêmio?
– Não. O Nobel não saiu ainda.
– O sr. conhece o Mário?
– Esse em que você está pensando, não. Só o outro Mário.
– Que Mário?
– Aquele que te comeu atrás do armário.

para novas vidas

eu quero falar das pequenas coisas. de todas as minúcias do estar vivo. quero falar os segredos singelos das coisas. quero falar cochichando no teu ouvido umas bobagens sacanas de sexo e em seguida umas besteiras tão infantis pra gente rir rir rir. aí eu vou te falar da saudade cretina que me aniquila porque dela faço apenas memórias. Vou te falar de uns sonhos impossíveis. Vou te contar empolgado dos meus planos rocambolescos de morar la naquela praia dos carneiros e viver entre flores exóticas e literatura marginal.Aí eu vou te abraçar, dizer que eu te amo e colocar minha língua úmida (l e n t a m e n t e ) na sua... orelha.

receita


Os modos de agradar uma mulher em TPM:

PERIGOSO: O que tem pro jantar?
SEGURO: Posso te ajudar com o jantar?
SEGURÍSSIMO: Onde você quer ir pra jantar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Você vai vestindo ISSO?
SEGURO: Nossa, você fica bem de marrom.
SEGURÍSSIMO: Uau! Ta uma gata!
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Ta nervosa por que ?
SEGURO: Será que não estamos exagerando?
SEGURÍSSIMO: Toma 100 reais.
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.

PERIGOSO: Será que você devia comer isso?
SEGURO: Sabe, ainda tem bastante macarrão.
SEGURÍSSIMO: Quer um copo de vinho pra acompanhar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

para pensar em você

Foto: agnaldo ribeiro - praça do Pôr-do-Sol - sp
eu gostaria de começar o mundo hoje afirmando que o mais importante é descobrir que a única imagem a superar uma reunião na casa da namorada e a voz, e o rosto de uma garota. especialmente quando se declara nesta paisagem inconstante, segredos múltiplos. há um universo em seu olhar. e é sem dúvida o mais belo dos mundos. por agnaldo ribeiro

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

eis aqui o que penso

(esse texto não e meu, mas descreve exatamente o que penso em relação a tais fulanas. perfeito!)
Tenho horror a mulher perfeitinha. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, ta sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura!!! Pois então, mulheres assim são um porre. Pior: são brochantes. Sou louco? Então ta, mas posso provar a minha tese. Quer ver?
a. Escova toda manhã: A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão ''Alisabel é que é legal''. Burra.
b. Na moda: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle domês.Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar ''desarrumada'' nem enquanto tiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.
c. Sorriso incessante: ela mora na vila do Smurfs? Ta fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipático com orgulho, só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa, coitada.
D. Bunda dura. As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônicos (isso quando não enfiam o dedo na garganta pra se livrar das calorias que ingeriram), portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem H-O-R-R-O-R a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão. Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza se veste feito um manequim de vitrine do Iguatemi, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Que beleza de mulher. E você reparou naquela bunda? Meu Deus... Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa... Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua! E mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!!
texto de autoria do Sr. Arnaldo Jabor

no vento da tarde, distintas direções.

Foto: agnaldo ribeiro
O vento da mudança soprou e eu espero atento o passar das horas. Feliz e triste, ansioso e sereno, um misto de sensações. Nada, porém, se compara ao bem estar, ao contentamento que acolhe a minha alma.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Imaginação

É ela que me puxa, que atrai, e que trás para perto o que quero. Meu ímã, meus extremos, meu palco de shows incomparáveis. Minha loucura explícita, minha caixinha de sonhos arrebatadores. Meu calor, meu frio, meu meio termo não tão meio assim. A âncora que me pára, o vento que sopra a vela que me leva, e leva... leve. Meu conserto, meu acerto, meu desarranjo. Meu erro, minha certeza, minha desilusão. Minha volta ao mundo sem sair do lugar. Meu A, meu B... minha letra N. Meu ponto chave. Meu T.
Subliminar
Sutil, como quem não tem pretensão de marcar. Marcante, como quem não tem intenção de se deixar esquecer. Risonha, ponderada, intensa, verdadeira. Audácia comedida, inteligência nas entrelinhas. Caractere por caractere, byte por byte. Um lego. Um ego. Um... algo.Um toque, um "quê" de especial. Talvez prematuro, porém complexo, amplo, vasto."Vastas emoções e pensamentos imperfeitos..."Descrição, que por sinal, não é minha. Mas, talvez seja a melhor forma de expressar isso. Seja lá o que isso for...

sou eu hoje quem deita nos cacos da solidão

Foto: agnaldo ribeiro
OlhO pra você
e pasmo:
você é bela!
Olho pro futuro
e pasmo:
você está morta...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

no instante da imaginação

Deus também sua e estava com a camisa empapada grudada nas costas quando terminou de criar tudo. Deus olhou tudo e pensou que um banho seria bom e Deus disse: faça-se o chuveiro! E fez-se o chuveiro. E Deus viu que o chuveiro era bom. E Deus disse: faça-se o sabonete! E fez-se o sabonete e era da marca Dove. E Deus viu que o Dove era bom. E Deus então ligou o chuveiro e pensou que custaria muito caro um chuveiro elétrico e Deus disse: faça-se o aquecedor a gás! (Deus usa muitas exclamações quando inventa as coisas.) E fez-se o aquecedor a gás e o chuveiro de Deus virou uma ducha e Deus viu que era bom tomar banho daquele jeito. E Deus molhou-se todo, e Deus era meio pançudinho, e Deus passou sabonete Dove nas dobras cutâneas e Deus sorria feliz, porque Deus também sorri e, aliás, tem os dentes perfeitos. E Deus viu que não daria certo lavar os cabelos compridos com sabonete (pois o Senhor é cabeludo; Jesus é só mais um filho que imita o pai) e Deus disse: faça-se o shampoo! E fez-se o shampoo e Deus viu que o shampoo era bom e ficava ótimo escrito com sh e dois ós e servia também para lavar a barba. Deus é barbudo. E Deus viu que o banho era bom. E passou-se muito tempo, uma eternidade durou aquele banho, mas aos olhos de Deus um século não é nada, por isso, Ele nem notou que o banho fôra tão demorado. E Deus viu que um banho demorado era bom. E Deus sabia que fôra não tem acento, mas permitiu que eu escrevesse assim para evitar confusões. E Deus viu que evitar confusões era bom. E Deus viu que eu bocejei e Deus disse: faça-se o sono. E eu fui dormir.

carta aos filhos.

Foto: Lúcia Soares
queridos filhos:

não pude dar-lhes um mundo, uma história um sorriso. não pude dar-lhes um beijo de boa noite, uma lembrança, uma canção. anjos, vejam minha alma na janela. queridos petralhas, farol dos meus erros, a poesia permanece, os amores passam. contudo se eu me descuido, nessa casa cheia de brinquedos, nessa conversa assim mansinha, nessa tua gargalhada que chacoalha o sino...


querido filho
te deixo um punhado de palavras. testemunhas de um caminho seco. uma biografia completa e uma felicidade incompleta. deixo-te apenas a boquiaberta perplexidade dos loucos solitários, desistidos, suicidados. mas não peço teu indulto, só o silêncio cheio de ecos, das muitas gerações que não virão.

querida filha
eu te vi na entrelinha de um poema, sentada numa cadeira de sol. em cada pequena alegria da vida. na beleza mais furtiva de uma bruma, disfarçada de terrena promessa. na seda de que era feito o livro que dormia nos olhos da sua mãe numa tarde preguiçosa. te vi num fundo de damasco lavrado de figuras isoladas onde vivem os mitos. lá onde todas as deusas são mulheres ausentes. ainda na condição de falível humano fico por aqui, onde nenhuma fábula regressa, no aguardo do faça-se a luz à espera de um dia nos encontrarmos. por agnaldo ribeiro

पोदेरोसोस ुलोस् óculos novos

meus nóvulos ócus me ajudam a ler direito
as coisas escritas por aí
esses meus novóculos
super-raio-x aumentam
super-raio-x inventam
que as paisagens ficam:
mais serra do mar lá longe
e menos nuvens cerradas lá em cima
e eu acredito
piamente creio
que esses meus novuzóclos
serão eles próprios
num passe de mágica
hocus pocus
poderosos olhos
óculos novos

sábado, 1 de dezembro de 2007

texturas compassivas

Foto: agnaldo ribeiro
No tribunal das causas realmente pequenas, no terceiro degrau de uma tarde qualquer, tento entender a minha ineficácia perante ao breu temporário que a vida proporciona. Mas tudo isto nada mais e que uma extensão de tempo, onde se pesquisa a vida. E, a vida, uma entidade tão frágil e generosa com essa multidão de coisas em movimento.Mas não vou me enganar, aqui neste tribunal das causas realmente pequenas, qualquer gesto mais brusco, qualquer palavra mal pensada pode resultar num choque. Então, ficarei atento. por agnaldo ribeiro

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!