domingo, 27 de abril de 2008

para o amor da minha vida

Foto: agnaldo ribeiroQuero-te não para guardar em uma caixa
ou prender-te a um cofre para exibir
em reuniões ocasionais, finais de semana.
Não como jóia rara, cara, coleção de selo,
esquecidas em caixinhas prateleiras,
veneradas de quando em quando,
ao gosto e sabor do proprietário.
*
*
Quero-te sim possuir, possuindo como
o agricultor a chuva, o surfista o mar,
a criança o mundo e o pássaro o ar.
Quero ser pai, filho, irmão, namorado,
não te abandonar nunca, sempre ao seu lado.
*
Quero tomar conta de ti e proteger-te,
não para prender-te às regras ou convenções,
mas para que sejas livre, e sendo livre,
resgate-me de onde estou preso.
(para conhecer o autor desta poesia e so clicar no titulo.)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Foto: Sartre
no oceano da minha existência, naveguei a sua procura de forma incessante
enfrentei ondas e tempestades só vividas por quem se desespera

com a a u s ê n c i a...
por agnaldo ribeiro

segunda-feira, 14 de abril de 2008

uma noite cai

Foto: agnaldo ribeiro
A noite cai. Uma noite novíssima. Na rua Gomes de carvalho 1886, carros, ônibus, motos, bicicletas e pessoas integram o cenário. Algo de muito arcaico se move dentro de cada transeunte. Um enigma se instala no coração da tarde que se esvai. Assistir ao deslizar da tarde para dentro dos domínios da noite é como ser a testemunha de um crime. São os sortilégios. A noite é uma câmara. Ela suga a tarde para seu interior. E jamais a regurgita. Às 18 horas, quarenta e sete minutos e quarenta e cinco segundos da tarde de ontem, que não volta nunca mais. por agnaldo ribeiro

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Uma noite singular

Hoje com a luz da madrugada, que emanava de um poço localizado nos ares, foi-me possível avistar o movimento da rua, escondida entre as grandes árvores verdes. Estive a ponto de me agarrar ao tronco de uma daquelas árvores para não cair de vertigem quando um solavanco da vida me trouxe até aqui. Mas e bom que saiba que redigi esse texto em estado de paz absoluta, dentro do apartamento, sentado numa velha cadeira de madeira. Recupero o que em mim esteve desgastado e fraco. Nesse momento conteto-me com um copo de água. Venho tentando compreender uns fatos. Agora, interessa-me o desenrolar do tempo em linha periódica. Ou deveria dizer, o abrir-se do tempo em linhas intercruzadas ou mesmo o derramar-se gelatinoso do tempo, que trabalha nas cavidades do mundo. Não me tome por ingênuo. Já recebi uma bela faca no coração. Mas extirpei a lâmina e venho tratando a ferida com água boricada, conforme me receitou um sábio hindu. Aqui do nono andar a cidade e iridescente, veja só esses filamentos rabiscados no asfalto, as sombras das nuvens... Agora mesmo enquanto montava essas palavras, ouvindo o inigualável Johann Sebastian Bach pensei: não e mesmo uma pena que não podemos rir juntos? Talvez seja um alivio. Assim, camuflo meu corpo no ambiente da cidade. A nova rua recém inaugurada entre o velho parque e uma alma viva, refletida pela luz caudalosa. Ainda aos acordes dessa música suprema, permaneço inteiro e alegre. Faz frio lá fora. Olho pela janela e vejo uma noite tão vasta. Varandas onde se descansa, umbrais onde se apóia o corpo, pátios de onde se observa o corrimento das horas. Lá onde se tenta reaver ou recapturar o tempo, nos quintais onde se deita e se respira o perfume da flor dos jasmineiros, nas naves das catedrais onde se ora, nos salões onde se confabulam crimes, nas ante-salas de um segredo prestes a degringolar em escândalo. Que pena que não possamos ouvir juntos à noite... Talvez seja melhor dormir, sonhar, esperar que um outro dia venha e leve embora essa noite tão singular. Ou aceitar essa noite, vivê-la, suportá-la, desejá-la, atravessar essa noite, dizer um sim alegre a essa noite, elegê-la como a melhor das noites, vivida no melhor do mundos. No meu mundo. por agnaldo ribeiro

quarta-feira, 9 de abril de 2008

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!