domingo, 29 de agosto de 2010

reencontros


a guerra é absoluta
no tocante a destruição humana.

Uma tarde arcaica

Imagem: Warner Bros
À escadaria da velha casa, as flores estão reunidas, em atitude respeitosa.
Uma agulha fina cravada com minúcia nas esquadrias da carne, sucumbe aos véus que à tarde de domingo, sobre a cidade vai dispondo.
A minha vaidade tão velha quanto à cidade de Tebas, pousa, alheia, em silêncio sobre essa hora delicada e firme.
Resquícios de outras tardes que refloram, no horizonte já perplexo da minha memória instalam-se nos recheios do corpo e fora dele, e ali exerce em toda parte sua potência.
Finalmente o formato do mundo, a feição de seus mapas são absorvidos pelo silêncio do tempo que tanto durou a tua ausência. E eu aqui sentado no meio da tarde, não posso perder nem um minuto teu, nem um sorriso teu posso perder, preciso de cada palavra, de cada gesto teu, de cada respiração. Pois amo-te inteira, até os subterrâneos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

pedras no caminho

Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Uma esquina diferente.


Foto: Internet
Quando as flores da velha arvore começaram a cair, o sol já havia desaparecido na escuridão da noite e aquele menino parado em frente ao portão marrom que guardava a casa do capitão Otávio Machado observa que alguém na janela também percebe o tremeluzir das luzes ao longe.
No bar a alguns metros, no inicio da rua cadeiras vazias indicam que é terça feira. Logo adiante na esquina da rua Pires de Oliveira e Amaro guerra um luminoso vermelho instalado em cima da porta anunciava uma loja de material elétrico e construção. O perfume das flores proveniente das grandes árvores embriaga os sentidos daqueles poucos transeuntes que por ali passam, e os sabores da cozinha chinesa servidos em pratos de louça puramente branca outorga aos dois labradores um silêncio incomum.
Em outra época onde a memoria se desprende e vaza pelo mar da China, o menino, até ali, testemunha de uma vastidão de ausencia e silencio numa terra de surpresas, ficou a comtemplar a menina da cidade proibida debruçada na janela. Uma jóia delicada, uma doçura quase insuportavel, cuja breve existência é sempre conduzida com a leveza das coisas que não duram.
Ser espectador ali é uma dádiva. É como penetrar nas mais remotas regiões da alma onde a linguagem é um instrumento rude, incapaz de descrever as exigências sem que palavra alguma seja dita.
Sob o domínio estrito da terra a noite pousa definitivamente sobre a cidade.
O menino segue fagueiro, suspenso, exibindo um sorriso valioso em direção ao nada.

##

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

um pouco de poesia

 Fotos: Jéssica Sol



**

terça-feira, 10 de agosto de 2010

soneto



Tu pensas que és a gloria da nação
apenas por ter condecoração?

Trophéus, estatuetas, coppas, taças,
medalhas, laureas, placas e diplomas,
os pés no calçadão, bustos nas praças...

Commendas não são tudo nesta vida!
Doutor honoris causa é qualquer um
que, só porque tambem soltou seu pum,
ja julga ter a merda mais fedida!

Do meu anonymato não desfaças,
pois com o mais terrivel dos glaucomas
ganhei o campeonato das desgraças!

Exijo mais respeito, cidadão!
Não sou tão pouca porcaria.

Glauco Matoso

nasce o dia

****
***
&***



Não desejo nada além de você.
**

***
***
***(
***

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

excessos que não deixa mentir

"Me sinto tão leve quando estou pesado

E me sinto tão achado quando estou perdido"


**

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

por ordem expressa

havia aqui um texto que foi removido por ser exagerado. deixei essa foto no lugar.

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!