segunda-feira, 29 de novembro de 2010

tão longe quanto eu possa ver

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Bem que você podia
Pintar na sala da minha tarde vazia
Como uma poesia
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sábado, 20 de novembro de 2010

por uma vida menos ordinária

Era uma vez um garoto que nasceu em pleno calor de agosto, numa manhã qualquer perdida no universo da sua memória. Logo cedo tomou gosto pela leitura. Pelas palavras de autores desconhecidos imaginou um mundo abrigado de consternação e angustia. Um dia quando contemplava a tarde quente, imaginou: “acho que Deus usou três galões de tinta muito azul para pintar o céu hoje”. O chão que deitava era avermelhado e se ele pudesse visualizá-lo agora, do alto, ficaria encantando com a intensidade das cores, com tanta beleza. O tempo passou, e com ele a vida cresceu, tomou outro rumo. Hoje, agora, nesse momento, no caminho oposto ao seu, um lampejo de nostalgia dança no palco dos seus olhos. Nos dias bons ele sonha, nos outros pesca a existência por uma vida menos ordinária.

leve

Não me tome pela mão, nem me leve para andar em seu parapeito. Tenho vertigens, desequilibro-me facilmente e posso desabar no meio da quadra e sequer quero desabar no meu chão, quanto menos no chão alheio, o chão onde pisam centenas todos os dias. Esse chão sujo e duro não é lugar para mim. Não venha, não venha. Eu não quero. Eu me sinto bem assim. Sozinho.

domingo, 14 de novembro de 2010

o beijo

O beijo do Hotel de Ville, Paris, 1950, Robert Doisneau

Ela não e apenas uma admirável companhia, é também uma bela mulher, cheia de narrativas e reverência.
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sábado, 13 de novembro de 2010

um sábado qualquer

Presenciei à tarde de sábado que transcorria cautelosa rumo à penumbra da noite. E assim foi. Depois de um instante, à noite tudo envolveu com seu traje. Fui até a janela e um vento beduíno soprava. A cidade reluzia, os postes eram gemas que piscavam, havia um desfile luxuoso de faróis. E o vento perpassava tudo. Estaquei, paralisado, frente ao espetáculo. Se ao menos alguém estivesse ao meu lado, alguém que pudesse servir de testemunha a tudo o que vi. Mas o sábado estabelecia que somente uma pessoa pudesse presenciar seus trabalhos. Havia majestade, em cada canto havia uma oculta glória. Tudo movia, silenciosamente. Fechei a janela, cansado do papel de testemunha-única. Era demais aquela exigência. Resolvi sair. Precisava saber se outras pessoas dentro do sábado também estavam vivas. Sai para a rua e a cada passo que eu dava, a vida grassava, como eu suspeitara. Os bares cheios de gente. Os rostos eram reluzentes. Os copos, de tão cheios, transbordavam. Tudo era farto, não havia miséria. O riso era tão fundo que degringolava em esgar. As meninas usavam fino ornato. Os meninos tinham o peito aberto e usavam bermudas. Uma garçonete estava tão absorta em seu trabalho que mal percebia que era bela.  E eu tentei burlar o silencio do sábado, mas suspeitei que falar era uma estratégia para evitar a austeridade que o sábado impunha. Havia sido escolha minha examinar a noite a partir de dentro, ao invés de contemplá-la do alto do edifício. A disciplina rude da minha alma e eu avançamos sob a penumbra e chegamos em casa.
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a conversa

Sob a capa da doçura do filme italiano, uma conversa inicia:
- Oi... Sonhei com você hoje.
- Amore...!
- Me conta.
- Sonhei que a gente tava conversando e rindo...
- Eu sonho com isso, enquanto o sonho permanece, eu aguardo.
- Amor... Vou ter que sair aqui... Desculpa não poder ficar mais.
- Beijo. Cuide-se.
- Prometo que em breve nos falaremos mais.
- Beijo, te amo... Sonho sempre com você.
- Te amo.

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!