domingo, 31 de julho de 2011


A luz trêmula dos faróis de um carro brilha por entre as árvores. Aqui da minha janela no nono andar a tarde desliza para o infinito. Os prédios muito calmos comemoram a chegada dos seus moradores, porque é sempre assim, todo domingo parte deles são abandonados e ficam tristes, agora, por exemplo, uma janela esta a cintilar de alegria porque uma garotinha de seis anos esta debruçada sobre o quadrante desta  que ficou imóvel durante todo o dia. A noite chegou, com ela pequenos lampejos de isolamento, solidão, alegria, palavras e sorrisos abraçam o acaso. Agora dezenove horas de um domingo descorado, nenhum evento importante aconteceu no decorrer do tempo, com exceção da garotinha da janela que acenou para mim, e sorriu. Às vezes algo que representa quase nada para a gente, significa tudo na vida de alguém. E é preciso pouco, muito pouco, para fazer o dia do outro diferente, especial.  . E hoje tive a oportunidade de ficar  comigo o tempo todo. Somando tudo o que falei, creio não ter pronunciado mais de cinco palavras ao longo do dia. À tarde, chamei o Gabriel Garcia Márquez e me sentei na varanda. As desventuras de Amaranta, José Arcádio, Pilar, Úrsula são companhia da melhor qualidade. Que não me impediram de tirar um bom cochilo, ali mesmo, diante de tantas janelas alegres e tristes a me contemplar.

sábado, 9 de julho de 2011

Eu vi a beleza, minto, a burrice. Digo, porque presenciei. A burrice é alta, tem olhos, dentes, a voz modulada. Não diria, se fosse uma coisa qualquer. Era a burice inteira, singela. Eu estava presente quando a burrice se manifestou. Sinto-me privilegiado. Era o justo momento. Não pude tocá-la, mas esquadrinhei-a com meus olhos. Eu pude saber – a burrice  tinha partes, tinha os ornamentos, tinha os braços, e foi nos braços da burrice que eu fiz a pesquisa de campo. Eu não a toquei. Nem desejo toca-la. Eu preciso somente entender – qual a natureza daquela forma? De que oceanos, de que eras, de que jornadas vieste? Jamais saberei, e estou feliz com isso. Porque desisti da intenção de pesquisar. Decidi que a burrice é inpesquisável. Quero apenas celebrar a alegria de não retê-la na lembrança. Estou satisfeito e seguro porque agora sei que a BUrricE existe.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Curso de Locução Publicitária na Radioficina!
imperdível!

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!