segunda-feira, 19 de março de 2012






a tua presença NÃO é mais o meu acontecimento. desde que se faça a tua ausência, estou autorizado a acontecer. e existo desde que a tua ausência se firma. eu sei que vem da tua ausencia o começo do mês, o fim do ano, a chuva que cai e o sol que vai nascer na semana que vem. eu sei que são produtos da tua falta os sinais de trânsito sincronizados, a reger a bagunça dos automóveis. eu sei que é a tua ausência que comanda a vida de todos os seres que vivem e é a tua presença que comanda o trabalho da morte e também as mãos dos obstetras em todos os partos. da tua ausencia, surge a vida e não mais a morte e surge o meio-termo que é o estado em que se encontram os comatosos. a tua presença inspirou o agastamento, o mau caráter, a falta de dialogo sincero, os livros de mau gosto, os jornais sensacionalistas, todos se escrevem sob o patrocínio da tua presença. a nova coleção de armas, as tramas de Brasília, os filmes de fracasso retumbante, uma negociação pela morte, tudo só se lança no mundo porque a tua ausência permite. o mundo existe, enfim, a partir da tua AUSENCIA. Sei, e sei que é a tua ausencia é o combustível de tudo. é da tua falta absoluta que tudo brota. e as coisas só se consolidam diante da tua ausência.

Que cada pessoa tisana desse mundo, gente que só sabe sugar os outros, vampiros emocionais, maníaco-paranóico-depressivos, gente que insiste em lembrar que existe mesmo sabendo que fez um puta estrago na tua vida, pessoas idiotas que abusam das fraquezas dos semelhantes sem a menor pena, que todos esses filhos das putas encontrem a porra do lugarzinho medíocre que tanto insistem em procurar e parem de torrar a minha paz!!! Morte aos malditos obtusos! Um dia a gente pira e vê que ou tiramos de nossas vidas as pessoas que nos fazem alguma forma de mal ou nós acabaremos transmitindo esse mal aos outros. Então, a melhor coisa a ser feita é esquecer essa estória de política da boa vizinhança (falsidade mascarada?), esquecer essa porra de bom samaritano do cacete e olhar bem dentro dos olhos daquelas pessoas que te fazem mal, mesmo sem querer (como se fosse possível) e gritar um sonoro e desestressante VAI TOMAR BEM NO MEIO DO SEU CÚ!!! SUMA DA MINHA FRENTE!!! VAI COMER ALFACE!! VAI BUNDAR COM O FREDERICO!!! 

sexta-feira, 16 de março de 2012



•••… uma mulher balzaquiana possui irresistíveis atrativos... uma menina possui demasiadas ilusões, demasiada inexperiência, o sexo é demasiado cúmplice do seu amor... uma mulher, pelo contrário, conhece toda a extensão dos sacrifícios que tem de fazer. (…)… ao entregar-se, a mulher experimentada parece dar mais do que a si mesma; enquanto a jovem, ignorante e crédula, não sabendo nada, nada pode comparar nem apreciar... (…)…. uma mulher tem mil meios para conservar simultaneamente o seu pudor e a sua dignidade. (…) a mulher tem inúmeras seduções e oculta-se debaixo de mil véus. (…) Manifestam-se, aliás, indecisões, receios, temores, tempestades, na mulher de 30 anos que são impossíveis de encontrar numa garota. (…)… a mulher de 30 anos pode tornar-se uma menina, desempenhar todos os papéis, ser pudica e ir ao ponto de se embelezar com uma infelicidade. 



CHEGA!

YA BASTA!

CANSEI.

sábado, 3 de março de 2012

Chove de madrugada. Dois amigos bebem.  Felizes, porque enfim estão juntos no balcão do bar. A alegria de um é a alegria do outro. Eles se bastam. E ali  conversam, usufruem, fumam. Em cada  palavra que trocam reponta a alegria que lhes provoca a presença do outro. Quando um deles começa a contar sobre uma conversa que teve ao telefone com o pai, o outro aguça os ouvidos. Estão bêbados, comovidos. Trêmulos. Partilham cachaça, cerveja, cigarros. Saem do bar e se abrigam numa marquise. Um deles diz: “Que bonita a chuva”. O outro não responde. São dois amigos.

sexta-feira, 2 de março de 2012

escuta aqui. eu não tenho vocação pra ser bonzinho, eu não vim te dizer porra nenhuma. eu vim dizer que todos os fatos são vagos, que todos os ratos são pardos, que todos os atos são tragos de bourbon e soda. eu vim foder com os lados do contrato, vim revelar-lhes todo o segredo ocultado entre os escombros da bomba de mercúrio cromo. 

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!