quinta-feira, 30 de abril de 2015

enquanto a cidade passa

Dobro outras esquinas, encontro outras ruas. Desafios novos em folha para serem enfrentados. Escolhas para serem feitas. E ainda sobra tempo para um café, à meia luz, enquanto a cidade passa ou dorme, enquanto fico inerte feito um jardineiro fiel, calculando quando retornarei silente para aquele trem que corta a vida.

I walk other corners, meeting other streets. New challenges in sheet to be faced. Choices to be made. And still have time for a coffee in the light half, while the city passes or sleep, while I made a inert Constant Gardener, when calculating return for that silent train which cuts life.

over there

Ela perguntou baixinho: - Por que você não estava lá?
Sim, eu estava lá, bem antes de você chegar, eu estava lá quando o vento da noite fazia esvoaçar seu cabelo. Eu estava lá e reparei que mesmo sendo a lua, parecia que nunca fizera parte daquelas estepes rudes e impessoais que ultrapassam a labuta perene em volta da terra.

Interessante, as cidades se desintegram, as civilizações desaparecem, mas certas pessoas, certos sentimentos continuam.

She asked softly: - Why were you not there?
Yes, I was there well before you arrive, I was there when the night wind was billowing her hair. I was there and I noticed that even though the moon, it seemed that had never been part of those rude and impersonal steppes beyond the perennial toil around the earth.
Interestingly, cities crumble, civilizations disappear, but right people, certain feelings remain.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

é preciso ir embora


Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.
É preciso ir embora. Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por dois anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer-se do seu aniversario, você estando aqui ou na Dinamarca. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo, ou aquela pessoa realmente especial que vai terminar a frase “Que saudade de você…” “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí vem almoçar comigo”.
Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva.
As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. “Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.”

my rizzo is sad here

In the hours of darkness when all the people hurt go away, whispering words of selfishness, the world will still leave the door open for a second chance.
Because everybody cries, everyone suffers.

The night was cold

A noite estava fria, mas foi bom sentar à janela com você, conversar, ver a vista da cidade se movimentando.
The night was cold, but it was nice to sit by the window with you, talk, see the view of the city moving

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Eu gosto mesmo é de gente apaixonada.


Gosto de ver gente apaixonada e ainda melhor é saber que você esta apaixonado por alguém que também esta apaixonada por você. É lindo ver os olhares, a cumplicidade nos gestos, a (in) discrição das palavras no ouvido, à elegância das distâncias que ocupam corpos apaixonados, o espaço que cabe apenas um mundo feliz.
Penso que estar apaixonado é talvez a melhor coisa que pode acontecer com o cérebro, com a vida de alguém, até aquela paixão aterradora que destrói que impõe medo, que necessita de cuidados divinos, pois a terra não possui antídoto para tal sentimento, tem a sua dose de beleza.
Gosto mesmo é de saber que estou apaixonado por alguém tão incomum, alguém tão irresoluta, imprecisa nas suas decisões, alguém capaz de mergulhar na vastidão do meu mundo rock roll, alguém pronta para andar no cimo dos meus precipícios mais abissais, tão capaz de transformar o cotidiano, e depois deixar tudo paulatinamente para buscar a felicidade numa vida leve e livre. Ainda assim gosto de ver uma pessoa apaixonada pelo espelho, pela vida, pelo vôo das andorinhas num dia de outono, uma pessoa apaixonada não necessita necessariamente de outra para ser feliz, até porque a felicidade não esta relacionada diretamente a relações humanas.
A paixão esta acima da ciência, acima das mais loucas ambições. Ver uma pessoa realmente apaixonada é entender um pouco sobre o que não se pode ter, é saber que o outro lado da ponte é tão seguro quanto um esqueleto carregando peso, é saber tudo sobre o que vive eternamente no imponderável da vida, lá onde os sonhos não sonham. Por isso penso que é tão difícil ver uma pessoa realmente apaixonada, a maioria que reflete estar sob esse domínio não tem ideia da fábula que esta vivendo, pois a paixão foi feita para seres imaginários, demasiados singelos, demasiados fortes.
Gosto mesmo é de ver gente apaixonada, de gente verdadeira, de gente gentil, que respeita opiniões diferentes, que reconhece valores alheios, que sabe criticar sem ofender. Gosto também de gente capaz de manter o bom humor mesmo diante de situações difíceis, bem como admiro quem permanece sereno em meio a tempestades de problemas ou tumultos, tão comuns na vida. Gosto de gente apaixonada que sabe escutar e de gente que enxerga os outros! Que reconhece a existência de quem está próximo (ou mesmo distante) e entende o valor de cada um. Gosto, enfim, de gente rara. E gente rara é cada vez mais rara. 
Eu gosto mesmo é de gente apaixonada.

por Agnaldo Ribeiro



quarta-feira, 15 de abril de 2015

desejo

"Antes de mais nada, quero dizer que não perdoo ninguém. Desejo a todos uma vida atroz nos fogos do gélido inferno e nas gerações execráveis que hão de vir". Não, não são minhas essas palavras, são de Samuel Beckett em "Malone Morre".
Mas posso dizer o que quero agora, senta ai, come mais um pãozinho e ouça.
Nunca tive vocação para ser bonzinho e talvez por causa de algum trauma que não desejo contar, não quero agradar ninguém. Especialmente os pseudo felizes e livres. Desejo para eles uma vida atribulada, conflitos infernais com as famílias, dúvidas terríveis quanto a se vale a pena ou não ter filhos e casar.
Desejo que, caso optem por não ter família, experimentem a mais dura solidão da existência humana, porque, no fundo, não passam de egoístas, mentirosos, falsos e desregrados mentalmente. Mas se tiverem família, desejo que percebam como os filhos cada vez mais são egoístas porque querem ser felizes e livres.
Desejo para eles pressões violentas no mercado de trabalho, perdas irreparáveis na vida profissional e pessoal. E jantares à meia-noite diante de um trabalho que não pode ficar para amanhã porque querem viajar e ter grana para gastar. Grana que nunca terá, pois a espiritualidade não permite essa de ser capitalista, (no fundo tudo que mais quer é ter dinheiro pra viajar pelo mundo, pular de precipício em precipício, como faço eu nos dias da minha existência, mas, por quê? Por que eu posso).
Quem quiser ser livre, que aguente a insegurança da liberdade. Que aguente sonhar com dinheiro e uma vida leve. Quem for covarde e optar por uma vida miseravelmente cotidiana que veja um dia sua filha jogar na sua cara que você foi um peso no decorrer dos tempos.
Especialmente, desejo um futuro cruel para quem acredita que "ser uma pessoa de bem" a protege de ser infiel, infeliz, abandonada e invejosa.
Quem quer agradar é, no fundo, um frouxo. Vejamos alguns exemplos do produto "querer ser feliz".
Comecemos por quem acha que o seu "querer ser feliz" é superior e espiritualizado.
Talvez você queira virar luz quando morrer porque ser luz é legal (risadas). Deus me livre de querer virar luz quando morrer. Prefiro as trevas.
Se for para continuar vivendo depois de morto, prefiro viver no "meu elemento", as trevas, porque sou cego como um morcego. Não vejo essa iluminada existência neste mundo bestial. Tudo isso aqui foi feito para idiotas irrisórios com q.i rastejante , incluindo este que escreve estas palavras adaptadas do original.
Normalmente, quem quer virar luz quando morrer é gente feia, indecisa, insegura, com sérios problemas sexuais, mesquinha ou magra demais. Quer saber, mulheres bonitas vão para o inferno, logo... A gente se vê lá. Certamente. Enquanto isso desejo que você tenha apenas aquilo que merece, desejo que você morra indigente e infeliz.

por Agnaldo Ribeiro

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!