segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Veja bem meu bem, todos esses carros aí estacionados são mais novos do que eu. Todos esses velhos acolá sentados são crianças ante a mim, são mais novos do que eu. Os muros caiados ou mesmo os derrubados são mais novos do que eu. Os astros do cinema e as garotas de programa, o calor do deserto, são mais novos do que eu. Mesmo os Opalas, e aquele carro preto estacionado na A. Veloso, mesmo as igrejas, mesmo as florestas – tudo é mais novo do que eu. É mais nova do que eu a própria Tebas que a relva recobriu e o mundo emudeceu. O clarão das trevas, a primeira oração e os tubarões em cio – mais novos do que eu. Sou eu mais antigo que um pergaminho, que o coração de um santo, que o olho do profeta Maomé. Sou eu mais antigo que o plâncton marítimo, que a figueira de Judas, que a sarça ardente, sou mais velho que o lado escuro da lua, que o nascimento de Zeus. Mais púbere que eu, os pórticos das catedrais de Roma. Sou mais remoto que o próprio ancestral. Sou mais antigo (principalmente) do que eu.
Sim, eu sou velho. O que significa que eu tenho sobrevivido, e um monte de gente que eu conheci e amei, não. Sobrevivi a uma data importante, um aniversário, natal, réveillon, um acaso aleatório, sobrevivi à permanência ou um desembarque. Sou velho e isso não significa que sou arcaico ou profano, sou tão jovem, de fato, quanto você.
Eu perdi amigos, conhecidos, colegas de trabalho, avós, parentes, professores, mentores, estudantes, vizinhos e várias outras pessoas. Eu não sou pai e eu não posso imaginar a dor que deve ser perder um filho. Mas conheço a dor de perder um grande amor, um amor verdadeiro que não pode durar pra sempre, ou um amor vulgar, desses que duram uma vida inteira.
O fato é que eu poderia acostumar-me com as mortes, mas eu nunca me acostumei. E eu não quero. Sempre que morre alguém que eu amo, no plano físico, espiritual ou emocional é como se abrisse um buraco em mim, não importam as circunstâncias. Eu não quero que isso seja algo que simplesmente passe. Minhas cicatrizes são provas do amor e da relação que eu tinha com essa pessoa. E se a cicatriz é profunda, assim era o amor. E que assim seja.
As cicatrizes são um testemunho de vida. As cicatrizes são a prova de que eu posso amar e viver profundamente e ser ferido, ou mesmo arrancado, derrotado, esquecido, para que eu possa me curar e continuar a viver, e continuar a amar. O tecido da cicatriz é mais forte que a carne original sempre foi. As cicatrizes são um testemunho de vida. As cicatrizes são feias apenas para as pessoas que não podem ver. Cicatrizes são detestáveis para quem não se dignou a viver e morrer, sempre que luz da escolha apaga.
Bom, quanto à dor, você vai recebê-la como ondas. Isso é um fato irrefutável, uma causa pétrea da natureza. Quando o seu desejo é destruído, tudo ao redor faz lembrar a beleza e magnificência do que ele era, e não é mais. E tudo o que você pode fazer é ficar em silencio. Com o andamento dos dias você encontra algum remédio para se apoiar por um tempo. Talvez seja alguma coisa física. Talvez seja uma memória feliz ou uma fotografia, um sorriso, uma taça de vinho ou uma refeição triste. Talvez seja uma pessoa que também está tão perdida quanto você. Por um tempo, tudo o que você pode fazer é ficar em silencio. Porque a sabedoria reside no silencio.
Depois de um tempo, talvez semanas ou meses, você verá que as ondas de sentimentos continuam com uma altura significante, mas elas chegam em intervalos menores. Contudo quando elas vêm ainda acabam com você, mas, pelo menos, você consegue respirar, consegue funcionar. Você nunca sabe o que desencadeia a dor. Pode ser uma música, uma foto, uma rua, o brilho da lua, o cheiro de vinho. Pode ser qualquer coisa… e a onda vem te quebrar. Porém, entre as ondas, existe vida.
Assim como o universo, a sua onda de sentimentos, a sua tempestade particular também quer ser ouvida, desejada, e talvez amada, mas é sensato ignora-la, pois todo rumor classificado de problema, não tem o habito de ir embora, especialmente se você cuida desse maldito xucro filho da puta com esmero, se isso acontecer, o problema, a tempestade, assenta barraca na sua mente e nunca vai embora. E isso pode melindrar ainda mais o vespeiro que chamamos de diplomacia, quando tudo vai mau(l). Então... Mande o embora. Problema não pode ser cultivado.
Em algum momento, e isso é diferente em cada um, você pode achar que os sentimentos têm apenas um soluço. E quando eles vêm... Você pode vê-los chegando. E quando esse sentimento de perda, de renovação, aparecer, quando a onda te cobrir, você já sabe que de alguma forma você, de novo, sairá do outro lado. Encharcado, arranhado, triste e ainda apoiado nos destroços de uma vida, mas você sairá.
A vida é assim, como o tecido musical do pianista francês que transborda a alma de paz e tranquilidade mesmo observando mundos infinitos e microscópios do oponente assustado do lado de lá, mesmo quando os interstícios ambíguos dos impotentes fuzilam a vida sentimental em distintas direções.
Viver é mais do que podemos apreciar, é mais do que podemos ter, está acima da qualidade humana, está além do limitado conhecimento que disponibilizamos acerca do sono e sonho. São necessárias algumas eternidades para certificar a liberdade concedida. Sabe, eu ainda penso que somos uma metade do amor que vive em outro universo, em outro plano, e estamos acorrentados por gomos de carinhos e desacatos, estamos e permanecemos acorrentados por medidas de tempo, conhecido aqui na terra como eternidade. E assim a vida passa, assim as rugas aparecem, a sabedoria chega e entendemos com uma suavidade maldita que de fato, a felicidade, a sua metade da laranja, a sua metade esta no outro mundo, e para liberta-la é necessário morrer, e você aceita, pois sabe que a eternidade existe em configuração intransferível. Assim como esse paragrafo escrito em todas as pessoas do plural e singular.
Aprenda isso com um velho, porque as ondas não param de chegar, e de alguma forma você realmente não quer que parem. Mas você aprende que você vai sobreviver a elas. E outras ondas virão. E você vai sobreviver também.
Se você tiver sorte, você vai ter um monte de cicatrizes de um monte de amores. E um monte de navios naufragados para lembra-la, que a vida é bela, que a vida é linda, que a vida é Foda.

um homem “precisa conhecer o mundo, pisar na terra” como diz o meu pai.
um homem precisa de silêncio nas horas vagas e desafio entre todas elas,
as horas todas que vestem de alegria e tristeza cada volta do dia e da noite.

um homem precisa de pouca coisa para ser alguém
um homem sempre deixa a sombra e o chão para poder voltar
um homem precisa apenas de silêncio de vez em quando para seguir em paz.


Você está muito sensata. Acho bom consultar um psicopata.
 (Paulo Leminski)

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Não transforme a vida numa suposição.

Na época atual, a maioria se fecha em casa com medo da violência, estuda só o que algum idiota, arcaico e superado alega como correto, lê apenas o livro que apareceu na minissérie coagida, paga por você, veste apenas o que esta no figurino da bestial revista produzida por alguém sem opinião, se alimenta seguindo alguma moda, alias o alimento deixou de ser comida ha muito tempo e se transformou em medicamento, porque algum humano disse que alimentar é perigoso.
Nada do que te deixa feliz de fato é permitido, nada do que você deveria desfrutar está licenciado para o seu prazer.

Então, uma dica: 
Seja ético.
Estude sempre e muito.
Acredite sempre no amor.
Seja grato (a) a quem participa de suas conquistas.
Eleve suas expectativas. 
Seja simples. 
Tenha um orientador, seja humilde para aceitar conselhos dos mais sábios.
Jogue fora o vício da preocupação.
Aceite o ritmo da vida
Perdoe, e celebre as vitórias.

Aproveite a vida. Antes de morrer realize um sonho, um apenas, encare seus problemas de frente, entenda que o que realmente importa é saber que no seu ultimo suspiro quando a pergunta for feita você responderá: sim, eu fiz alguém feliz. Eu fui feliz. 

Coma carne se tiver vontade, pelo prazer que a proteína te proporciona, e não porque alguém infeliz e triste disse que é bom ou ruim. Coma açúcar porque o seu corpo ama doce e não porque ele é tido como nocivo à saúde.
Mas lembre se, tudo em exagero é nocivo, até o amor exagerado é destrutivo.
Viva sabendo que você é único (a) exclusivo (a) e muito especial nesse infinito universo tão curto que chamamos de vida. Aprecie as derrotas e as vitórias, as lagrimas e o sorriso, o amor e a decepção, a poesia do amanhecer e a força do anoitecer.
A sabedoria do sucesso e de uma vida repleta de felicidade está na maneira como você encara o seu futuro. Tudo depende de você. Seja o capitão da sua existência. 
Desejo que você seja feliz, dentro dos primórdios da sua existência, dentro das limitações da sua experiência, dentro do universo que existe em você.




dos teus movimentos nada afirmo, pois deles nada sei
apenas pressinto um gigantesco giro.
o teu nome não me foi revelado.
do teu rosto antigo só me restou uma sombra suja, rascunhada, que guardo no fundo de uma gaveta de papéis, localizada no calabouço da minha memória.ouço notícias do seu esplendor. dizem que perambulas por ai, seguida por um séquito. não sei e tampouco tenho notícias do teu paradeiro.
sei apenas por adivinhação, que e imensa a saudade.
acorrentados

Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.
(Paulo Mendes Campos)
Texto extraído do livro "O Anjo Bêbado", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 105.

The Piano



Hoje há ainda alguma fadiga nas coisas da vida, o que é absolutamente normal.

*

sábado, 7 de novembro de 2015

Это было однажды мальчик, который любил девочку.

era uma vez um menino que amou uma menina.
o menino se foi.
era uma vez uma menina que nunca amou ninguém.


3 é para iniciante.
Bom mesmo são 4.
Você refez minha vida
meu gozo e meu tempo, 
altíssima puta, 
com carne e silêncio. 
Meu sono é imenso,
dulcíssima menina.
Sua boca me engole,
sua mão me ampara.
Você não me deixousozinho na rua,
puríssima dama.
Mas agora a luta
vai ser nesta cama.
Quanto mais boa-noite,mais é madrugada.
É aí que se esconde
meu hoje, meu tudo, meu nada.
Altíssima fonte.Putíssima fada.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Já não tenho mais energia para amizades insignificantes,
noites desperdiçadas e conversas desnecessárias.

*

a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!