segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016















O mais p
                R
                  O
                    F
                      U
                        N
                          D
                            O
                              abismo do ser.
Nos solitários cânions da cidade moderna, não existe emoção mais estimada que o amor.
Será mesmo?
Num edifício dedicado a celebrar o terror e a franqueza típica dos amores expressos, desenvolvemos parâmetros e valores totalmente distintos das nossas verdadeiras afeiçoes, dos nossos verdadeiros desejos, e não importa se esse edifício foi construído por plutocratas ou soldados ferozes, o símbolo quintessência do amor, o destruirá.
Sim, eu sei, a primeira vista essa parece uma junção de constante operosidade e fantasias proferida por alguém comum, sim eu sei, sou banal, mas o diploma finório da realidade me outorga tantas razões para duvidar.

Ainda que a sociedade continuamente nos prometa acesso a felicidade e ao sucesso, sempre  temos a impressão de que ainda resta uma pergunta: Quem é você?
A resposta determinará se seremos aceitos ou abandonados ao relento por alguém mais bonito e iluminado.  Penso que essas reuniões competitivas e pseudocomunais para perpetuar a vida sentimental e emocional, tem de fato poucos atributos que vale como moeda para comprar a boa vontade de gente cada vez mais estranha, egoísta, mesquinha e desmedida.

Enfim, com esse nível de falta de amor verdadeiro, de discriminação, não me causa surpresa a estratégia de muitos optarem pela solidão, ou se atirar com tudo na vida profissional.
Mas, ser bem sucedido no Brasil é perigoso, falar de dinheiro ou negócios com a pessoa errada pode ser tão traumatizante quanto presenciar um assassinato.

Parece irrelevante falar sobre a nossa incompetência quase total para realizar uma parceria duradoura, seja ela lúdica, lúcida ou estupidamente diabólica. O fato é que em nossos momentos mais arrogantes, o orgulho – ou supervia, na formulação em latim de Santo Agostinho – domina nossas personalidades e nos isola da afirmação simples e zelosa dos sonhos. No final Somos todos uns desafiadores irresponsáveis, uns insanos imaturos que se perdem ante a possibilidade dos prazerosos prazeres da carne. Nada mais do que isso.

Não acredita? Convido-te a ver o contexto por esse ângulo.

O amor empresta seu nome, prestigio, seu conhecimento e sua grandeza arquitetônica acumulada ao longo dos anos para que você tenha uma chance ao lado de alguém, entretanto, com esse gesto corremos o risco de nos tirarem a dignidade, de sermos tratados com condescendência, de não termos amigos e de passarmos a vida em um ambiente rude e desalentador.

Alguns afirmam até que o amor é uma caravana que não simboliza nem representa coisa alguma.
Dizem em alta noite que o amor está ai para que possamos caminhar com os olhos postos no céu, tropeçar em todos os obstáculos possíveis, e cair em todas as ratoeiras que a vida armou.

Eu penso que nosso erro consiste em pensar que essa caravana vai para algum lugar ou vem de outro, onde não há ratoeiras.

Aprendi que o melhor lugar é aquele onde você está agora. O melhor amor é aquele que no rugir de um vozear nos coloca sumariamente à deriva. É aquele que transforma em religião a  expansiva e universal bondade humana.
O melhor é aquele amor romântico, que nos põe em uma busca singela de uma única pessoa com quem esperamos conquistar uma comunhão completa e para toda a vida, uma pessoa em particular que nos dispensará de qualquer necessidade por gente em geral.

Enquanto essa utopia permanece, a vida passa, o amor passa.

*

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O que aconteceu com você?

Tenho reparado nas conversas de todo tipo de tribo e especialmente no facebook, uma linhagem de pensamento, regra e culto a modernidade e liberdade que beira a bestialidade.

 Antes de explicar, aviso:
 Liberdade não é ficar preso a um zotismo sem limites, modernidade não é se fantasiar de jacu, colocar um livro de filosofia em baixo do braço e ir passear na Paulista. Esse tipo de culto a vulgaridade, a falta de conhecimento, não transforma você numa pessoa, “legal” descolada e cheia de luz. Isso ai é burrice, simples e apurada.

A pergunta é: Por quê?
Hoje o importante é parecer e aparecer. Não basta ser idiota, você precisa provar que é. Tem tantas pessoas, escrevendo equívocos, falando tediosas frases decoradas, gravando vídeos e distribuindo na internet como se fosse o Santo Graal, mas não é, a maioria não sabe nem falar o português, vejo gente se camuflando de Melody pra parecer pop e ter milhões de seguidores, berra em alto volume que “Vai na praia”, quando ouço isso imagino a pessoa montada na praia, galopando, porque quem vai, vai a algum lugar.

Outra perola: “Vô bebê cazamiga”, que porr@ de frase é essa? Você já ouviu falar de uma coisa chamada elisão? Duvido muito.  Já sei, você está ai pensando: Está falando isso porque é um velho idiota. Posso até ser, mas venho de um lugar onde a simplicidade e a beleza é respeitada.
Pois bem, essa gente iluminada que ama a liberdade, vai com certeza apedrejar a minha observação, até porque eu estou sendo “politicamente incorreto”, rude, preconceituoso, antiquado, grosseirão e não estou seguindo o manual da cordialidade.

Antes da primeira pedra quero indagar:
-O que você tem feito efetivamente pra mudar a sua vida pra melhor?
-Você tem respeitado o cardápio que o dono do restaurante, arduamente criou e oferece dignamente, ou o desrespeita de forma laboriosa solicitando que mude o menu apenas para satisfazer seu paladar?
-Você “corta” a fila, estaciona na vaga destinada a deficiente físico, aborrece dias melhores porque o seu está ruim, acha bonito e natural falar mal das pessoas, atravessa e acelera o carro pra tomar o lugar de quem permaneceu 30 minutos aguardando no transito...
-Você ainda paga com a própria saúde mental e física pra parecer legal, sorridente e notória?

De fato, respeito a sua intenção de manifestar a favor daquilo que gosta. De ser quem deseja ser, mas, como já disse, tenho presenciado chiliques de pessoas que se apresentam como cultas, educadas... Penso, sinceramente conhecendo melhor o tipo, que essa gente não passa de pseudo-intelectuais de bairro com ideias provincianas e Q.I. rastejante. Que refinamento é esse? Que cultura é essa, que não respeita o direito alheio? É a cultura do mundo de hoje, a cultura do individualismo. Ou melhor, do egoísmo. E do egocentrismo. Aquilo de que eu gosto passa a ser lei, a minha opinião é a única que vale, eu sou democrático desde que todos concordem comigo e com minhas preferências e vontades.

Quer saber? Você não passa de um incapaz arrogante e chato.





a arte de dizer não.

Eu gosto de infâmia. Por isso sem meias verdades aqui. Tenha a bondade!